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Livro – A FEBRE DO AMANHECER

11 jan 2018

A FEBRE DO AMANHECER

Péter Gárdos

Companhia das Letras

216  páginas

A venda nas livrarias Paraler  : www.paraler.com.br

 

 

CINCO SEGUNDOS NO TERRITÓRIO DOS MILAGRES

“…(mais) uma vitória do amor diante do sofrimento”.

                                                                Péter Gárdos

            Estou em 1946, na Suécia, após a Segunda Guerra.

            Estou lendo uma história real.

            Estou na página 195 do livro de Péter Gárdos, A febre do amanhecer.

“A médica, ainda na janela, começou a resmungar qualquer coisa (com a radiografia nas mãos).

            — Mal quero crer nos meus olhos.

            Meu pai (Miklós) chegara naquele ponto em que milésimos de milímetros são decisivos. Se calcular mal, desmorona, como um boneco de boliche.

            Irene Hammarström se virou excitada, foi até sua mesa, e tirou de uma caixa uma radiografia anterior. Voltou à janela, ficou um tempo comparando as duas. Dirigiu-se ao meu pai, que empurrou um tantinho mais para trás, com suspiro.

            — Veja, essa é a chapa de junho. Nela a mancha (nos pulmões, devido à tuberculose) mede cinco dedos. E aqui está a de hoje. A olho nu mal se vê. Milagre. O que disse ao senhor o Dr. Lindholm?

            — Que tenho seis meses (de vida).

            — Um pouco rigoroso, mas real. Eu não poderia ter dito diferente.

            E a conversa prosseguiu.

            — O que a senhora quer dizer com isso?

— Agora fiquei indecisa. Vendo esta última radiografia.

            — O que há com ele?

—Agora eu o encorajaria. Que continue assim. Como está a febre durante a noite?

O show acabou aí, embora esses últimos cinco segundos pertençam ao território dos milagres”.

Mas tenho a impressão de que estou no consultório do oncologista do meu filho Rod, Dr. Nelson.

Lu, Rod e eu, tínhamos chegado naquele ponto decisivo em que teríamos que tomar decisões sobre o futuro. Dependendo do que ouvíssemos do médico, desmoronaríamos como bonecos de boliche.

O médico, após examinar o resultado da análise do material retirado do abdômen do meu filho, que pesava aproximadamente dois quilos, disse:

— Mal quero crer nos meus olhos.

Em seguida Dr. Nelson se virou para a tela do computador e ficou um tempo comparando os dois exames. Depois dirigiu-se a nós

            — Veja, esse é o exame anterior à cirurgia (biópsia). Nele o tumor é classificado como maligno. E aqui está o de hoje. Agora o resultado está constatando que o mesmo tumor…é benigno. Não encontro explicação para o corrido. O que disse a vocês o outro oncologista do Rod, Dr. Pedro, antes da cirurgia que extraiu o tumor?

            — Que era maligno, respondi.

            — Um pouco duro, mas real. Eu não poderia ter dito diferente.

E a conversa prosseguiu.

Lu perguntou.

            — O que o senhor quer dizer com isso?

— Agora não sei dizer o que ocorreu vendo este último exame do material.

Perguntei.

— O que há com ele?

—Agora eu os encorajaria para que continuássemos assim: acompanhando a situação do Rod e, diante de novos exames após três meses, verificarmos se houve ou não mudança no quadro clínico, tendo em vista os tumores malignos que ele já teve anteriormente.

O show acabou aí, embora esses últimos cinco segundos pertençam— nas vidas de Lu, Rod e eu — ao território dos milagres.

Enfim, A febre do amanhecer é uma história real de amor depois da tragédia da guerra: Julho de 1945. Miklos é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklos, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital. Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa. Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklos e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança. Baseado na história real dos pais do autor, A febre do amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.

Mas A febre do amanhecer, romance inspirado na relação entre os pais do autor Péter Gardós, não é a única história de amor diante do sofrimento: minha família ainda está vivendo uma delas.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO

 

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