Arquivos na categoria 'Regateiro: "É ParaLer"'

Livro – BALZAC E A COSTUREIRINHA

Clube de Regatas 15 de maio de 2012

Notícia - Capa do Livro BALZAC E A COSTUREIRINHA

BALZAC E A COSTUREIRINHA

 

Daí Sijie

Editora Alfaguara

164 páginas

 

A venda nas livrarias Paraler  : www.paraler.com.br

 

 

 

  

EINSTEIN, BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA

 

“ Poético     e   tocante (…)   as descrições da vida em meio a esses tempos e lugares   insólitos  são tão envolventes que o  leitor termina querendo mais “

 

                        The New York Times Book Review – sobre o livro de Dai Sijie

 

Em 1929, numa entrevista, Albert Einstein comparou o universo a uma biblioteca : Estamos na situação de uma criança pequena que entra numa biblioteca imensa, repleta de livros em diferentes línguas. A criança sabe que alguém escreveu esses livros. Mas não sabe como isso aconteceu. Ela não entende as línguas em que eles foram escritos. A criança supõe uma organização misteriosa na arrumação dos livros, contudo não sabe qual. Acho que é assim que até mesmo o ser humano mais inteligente se sente em relação a Deus. Enxergamos um universo que está montado maravilhosamente e que obedece a determinados limites, mas apenas os inferimos. Nossa compreensão limitada não consegue apreender as forças misteriosas que movimentam a constelação.

Esse universo (biblioteca), no livro Balzac e a Costureirinha chinesa  — baseado nas experiências de Daí Sijie ( nascido na China em 1954, proveniente de uma família de classe média, foi enviado pelo governo maoísta a um campo de reeducação rural, onde viveu entre 1971 e 1974)  no campo de trabalhos forçados — cabe numa valise: “ Aproximamo-nos da valise. Estava amarrada com uma grossa corda de palha, em forma de cruz. Desfizemos os nós e a abrimos silenciosamente. Dentro da valise, pilhas de livros iluminaram-se sob o feixe de luz da lanterna. Grandes escritores ocidentais nos acolheram de braços abertos: à frente, estava nosso velho amigo Balzac, com cinco ou seis romances, seguido de Victor Hugo, Stendhal, Dumas, Flaubert, Baudelaire, Romain Rolland, Rousseau, Tolstoi, Gogol, Dostoievski, além dos ingleses, como Dickens, Kipling, Emily Brontë…”

            Nesse livro, com um milhão de exemplares vendidos na França e traduzido para mais de 25 idiomas, conta a história de  Daí e Luo —  dois jovens de classe média, mandados para uma remota cidade no interior do país para serem “reeducados” pelo trabalho braçal no campo — quando, no auge da revolução Cultural chinesa, em 1971, Mao Tse-tung fechava as universidades e perseguia os intelectuais.

            Daí e Luo passam a viver num casebre, enfrentam condições precárias na lavoura e em minas de carvão e acreditam ter poucas chances de retornar à cidade natal. Mas dois fatos irão mudar seu destino. Primeiro, conhecem a filha do alfaiate local ( a menina mais bela da região) , por quem se apaixonam. E, em seguida, encontram uma velha mala de couro repleta de obras de autores proibidos pelo regime.

            Romance de fundo autobiográfico, adaptado para o cinema pelo próprio autor, em 2022, Balzac e a Costureirinha chinesa não é só uma história de amor entre três jovens no interior da China (uma aldeia na Província de Sichuan) . É, também, uma comovente narrativa sobre a sede insaciável pela literatura e sua força transformadora: “ ao  término da leitura ( diz Luo, ao fim da leitura do primeiro volume de Jean-Christophe, romance do francês Romain Rollan) , nem a maldita vida nem o maldito mundo poderiam ser como antes”.

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “DIA DAS MÃES” REGATEIRAS

Clube de Regatas 9 de maio de 2012

Notícia - Exposição Fotográfica DIA DAS MÃES

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA  

“DIA DAS MÃES”  REGATEIRAS

  

De 12 de  maio a 10 de junho, no espaço cultural do restaurante do Clube de Regatas Ribeirão Preto, Lu Degobbi, fotógrafa do Grupo Amigos da Fotografia, apresenta fotos de mães regateiras e seus filhos, numa exposição que contou com a curadoria do fotógrafo AC Tórtoro.

 

Na exposição fotográfica composta por  22 fotografias em cores, 25 x 38,  Lu Degobbi homenageia todas as mães pelo seu dia, apresentando diversos momentos de mães e filhos que nos finais de semana aproveitam tudo de bom que o Clube de Regatas propicia aos seus associados.

Manhã de autógrafos – JOSÉ ROBERTO MARQUES

Clube de Regatas 2 de maio de 2012

Notícia - Manhã de autógrafos JOSÉ ROBERTO MARQUES

JOSÉ ROBERTO MARQUES  NA BIBLIOTECA DO CLUBE DE REGATAS

  

O escritor José Roberto Marques,   realizará  manhã de autógrafos do seu livro,   “O desenvolvimento sustentável e sua interpretação jurídica , na Biblioteca do Clube de Regatas, no domingo, dia 27 de maio de 2012, das 10  às 11 horas  da manhã.

 

 Sua presença será a 51ª de uma série, que o conselheiro e colaborador, escritor Antônio Carlos Tórtoro, tem levado ao Regatas, em um dos  domingos de cada mês,  com o objetivo de incentivar a leitura e apresentar aos regateiros os escritores de Ribeirão Preto e região.

 

O desenvolvimento sustentável e sua interpretação jurídicaé uma obra oriunda da tese de doutorado do autor, e que apresenta uma interessante abordagem interdisciplinar do conceito de desenvolvimento sustentável, a partir de textos legais vigentes, estabelecendo a relação com os conceitos reinantes na Economia e na Ecologia.  Essa delimitação, como ele observa, não pode ignorar os direitos fundamentais dos cidadãos, obrigando, então, a uma abordagem também social.

O texto está fundamentado na referência obrigatória às Ciências Naturais, das quais não se pode afastar, dado o seu caráter de imutabilidade: os homens devem adaptar-se a elas, conciliando os seus interesses com os das futuras gerações.

“O desenvolvimento sustentável, dadas as variantes que o compõem, deve ser sempre reavaliado, ainda que seu conceito não tenha contorno bem definido. As atividades que permitem o crescimento econômico devem ter regulamentação sempre revista e atualizada. Essa tarefas cabem aos Três Poderes, cada um atuando na sua esfera de ação” conclui o autor.

 

José Roberto Marques, nascido em Ibitinga-SP, graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Bauru, em 1981. Trabalhou no Banco do Brasil de 1979 a 1987. Ingressou no Ministério Público em 1988 e é promotor de justiça em Ribeirão Preto desde 1997, atuando na área criminal. Fez mestrado e doutorado em Direito Ambiental, na PUC-SP. Autor dos livros “Meio Ambiente Urbano”, “Lições preliminares de Direito Ambiental” e “O desenvolvimento sustentável e sua interpretação jurídica”, além de capítulos em outras obras, e de artigos jurídicos e não jurídicos. Professor de Direito Ambiental da UNIP, campus Ribeirão Preto. Coordenador do curso de Direito da UNIP em Araraquara. Site: www.joserobertomarques.com.br

Livro – 44 CARTAS DO MUNDO LÍQUIDO MODERNO

Clube de Regatas 30 de abril de 2012

Notícia - Capa do livro 44 CARTAS DO MUNDO LÍQUIDO MODERNO

44 CARTAS DO MUNDO LÍQUIDO MODERNO

Zygmunt Bauman

Editora Zahar

226 páginas

A venda nas livrarias Paraler  : www.paraler.com.br 

 

MUNDO LIQUIDO MODERNO: INÓSPITO À EDUCAÇÃO

 

 

“O mundo que chamo de ‘ líquido ‘ porque, como todos os líquidos, ele jamais se imobiliza nem conserva sua forma por muito tempo. Tudo, ou quase tudo em nosso mundo está sempre em mudança”.

                                                                                  Zygmunt Bauman

 

No livro, 44 cartas do mundo líquido moderno, de  Zygmunt Bauman, somente duas cartas ocupam mais de um capítulo: Estranhas aventuras da privacidade e O mundo é inóspito à educação ( 3 capítulos cada).

No primeiro caso , “ a entrada da telefonia móvel na vida social eliminou, para todos os fins práticos, a linha divisória entre tempo público e tempo privado; entre espaço público e espaço privado; casa e local de trabalho; tempo de trabalho e tempo de lazer; ‘aqui’ e ‘lá‘ “.

No segundo, “ O consumismo de hoje não visa ao acúmulo de coisas, mas à sua fruição instantânea e imediata. Se assim é, por que razão ‘ o pacote de conhecimento’ obtido durante uma passagem pela escola ou universidade deveria ser excluído dessa regra universal ?  Por essa ideia de que a educação possa ser um ‘produto’ destinado à apropriação e conservado para sempre é desanimadora e sem dúvida não beneficia a institucionalização da escola”.

Eis aí uma nova realidade da qual a escola e a educação são reféns.

Eis o motivo pelo qual muitos consideram a escola uma “casa da sogra” — muitos  jovens acham que podem usar o celular como se estivessem na sala de estar de suas residências — e também o motivo pelo qual ter que estudar para  tirar nota (para ser aprovado) passou a ser motivo de amplas discussões entre docentes e pais que acham absurda a reprovação escolar do jovem que não demonstra haver assimilado os conhecimentos básicos exigidos pela escola.

E o pior: essa realidade educacional está continuamente mergulhada no mundo líquido moderno em que padecemos de excesso de informações e não sabemos como filtrar as notícias que importam em meio a tanto lixo inútil, que não sabemos captar as mensagens significativas entre o alarido sem nexo.

E nessas 44 cartas — flashes da vida contemporânea: Twitter, Facebook, moda, telefones celulares, proliferação de doenças nervosas, Barack Obama, solidão, isolamento, terceirização do trabalho, entre outros temas — Bauman separa o joio do trigo, o que é relevante daquilo sem substância, dos alarmes falsos.

Como nosso mundo líquido está em constante movimento, somos perpetuamente arrastados em suas ondas: indivíduo em busca de sua identidade.

“O mundo em que vivemos é um sistema de complexidade além da imaginação, seu futuro é um grande desconhecido, e irá continuar fatalmente assim, o que quer que a gente faça. Previsões só podem ser adivinhações, e confiar nelas é assumir um enorme risco. O futuro é imprevisível porque, pura e simplesmente, ele é indeterminado. A qualquer momento, há mais de uma rota possível para o curso futuro dos acontecimentos”.

Mas restam disso tudo um alerta e uma mensagem: se não resistirmos à sociedade de consumidores, se nos fecharmos no individualismo imposto, só cabe nos preparar para nossa própria biodegradação e reciclegam. Segundo Bauman, apenas juntos poderemos travar essa luta contra os ‘males sociais’ — do contrário, perderemos.

Eis aí um desafio para uma nova educação, na escola de hoje, com vistas para o futuro.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “BOMBEIROS EM AÇÃO” NO REGATAS

Clube de Regatas 16 de abril de 2012

Notícia - Exposição Fotográfica BOMBEIROS EM AÇÃO

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA 

“BOMBEIROS EM AÇÃO”

 

De 14 de abril a 6 de maio , no espaço cultural do restaurante a la carte do Clube de Regatas Ribeirão Preto, o GAF – Grupo Amigos da Fotografia, apresenta fotos do seu ex-presidente ,  João Rossato (bombeiro e fotógrafo).

A exposição “in memoriam” — momentos de um treinamento do Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto — é composta por  16 fotografias, 25 x 38, coloridas.

ODETE SILVA DIAS NA BIBLIOTECA DO CLUBE DE REGATAS

Clube de Regatas 16 de abril de 2012

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A escritora Odete Silva Dias,   realizou  manhã de autógrafos do seu livro,   “Identidade: o tempo como senhor da história” , na Biblioteca do Clube de Regatas, no domingo, dia 15 de abril de 2011, das 10  às 11 horas  da manhã.
Sua presença foi a 50ª de uma série, que o conselheiro e colaborador, escritor Antônio Carlos Tórtoro, tem levado ao Regatas, no 3º. domingo de cada mês,  com o objetivo de incentivar a leitura e apresentar aos regateiros os escritores de Ribeirão Preto e região.

Odete Silva Dias nasceu em 1937, em Jeriquara, SP, na fazenda Japão.
Trabalhou desde criança em várias atividades, começou sua carreira profissional como auxiliar de enfermagem no Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto.
Graduou-se em enfermagem na Universidade do Sagrado Coração, Bauru, SP.
Especializou-se em administração hospitalar pela Universidade de Ribeirão Preto, SP.
Aposentou-se na área da saúde em 1991 pelo Ministério da Saúde.
Em 2000, graduou-se em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano em Batatais, SP.
Em 2007, iniciou e dedicou-se a resgatar a história de sua família, que finalizou em 2011, originando o Livro: Identidade: O tempo como senhor da história.

“Identidade: O tempo como senhor da história”
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Livro – O GUARDIÃO DE LIVROS

Clube de Regatas 16 de abril de 2012

Notícia - Capa do livro O GUARDIÃO DE LIVROS

O GUARDIÃO DE LIVROS

 

Cristina Norton

 

Editora casa da Palavra

310 páginas

 

A venda nas livrarias Paraler  : www.paraler.com.br

 

 

 

DA BIBLIOTECA DO PALÁCIO DA AJUDA Á BIBLIOTECA DO REGATAS.

  

Quando acabo de ler um livro, a referência que deixo para outras pessoas que o lerão, segundo minha preferência, de ser ele bom ou não, são as dobras nos cantos superiores de algumas páginas e as anotações correspondentes em uma folha de papel avulsa: quanto mais dobras, melhor o livro.

            De O Guardião de Livros, romance de Cristina Norton, muitas foram as dobras… e as anotações.

Que inveja fiquei de Luís Marrocos e de sua história contada, depois de duzentos anos,  por uma escrava muda: um romance em estilo expressivo e inovador, assente numa pesquisa histórica séria.

Entremeados por interessantes crônicas da corte e cartas de Luís, do Rio de Janeiro do início do século XIX,  aos seus familiares que ficaram em Portugal, podemos nos encantar com um escravo que se apaixona por quem não deve; uma carioca que leva um português a descobrir as delícias do sexo; um cientista judeu a quem são confiados dois livros raros naufraga nas ilhas Malvinas.

Estas são somente algumas das personagens desse romance, que narra a vida de Luís Joaquim dos Santos Marrocos, um bibliotecário hipocondríaco que, em 1811, atravessa o Atlântico rumo ao Brasil acompanhado por 76 caixotes (sessenta mil livros) cujo conteúdo era verdadeiramente precioso: no seu interior seguia a Real Biblioteca do Palácio de Ajuda, inicialmente esquecida no cais de Belém quando da saída apressada da Corte portuguesa para o Brasil em 1808. A chegada ao Rio de Janeiro não foi fácil para Marrocos ao deparar com uma cidade onde nada o seduzia — nem a comida, nem os cheiros, nem o calor — e com uma corte endividada, amante de cerimônias grandiosas e grosseira nos seus costumes diários. Mas tudo mudou quando conheceu Ana de Souza Murça.

A autora descreve-nos uma vida rica em acontecimentos inesperados, onde a ironia se mistura com momentos comoventes como a história de Noémie Thierry, amante de Dom Pedro I, que mandou embalsamar o filho deles e enviou-o de Pernambuco para o Rio de Janeiro “ com a ordem de entregar a real múmia ao pai”: “O coração de D. Pedro partiu-se em mil pedaços quando abriu a caixa de madeira, porque esperava encontrar tudo, menos o corpo rígido de seu primeiro filho. Levou-o nos braços com o mesmo desvelo que teria se o bebê estivesse a dormir, levantou o alçapão da Câmara dos Pássaros e pousou-o sobre uma almofada de seda com todo o cuidado para que nunca acordasse. Mas não resistia vê-lo, e chorava-o diariamente, como se tivesse acabado de morrer”.

Quanto ao valor dado às bibliotecas, tudo continua igual, mesmo após 200 anos, como conta Jacques Arago ao seu amigo, Luís Marrocos, sobre quando esteve, pela primeira vez, na biblioteca instalada no Rio de Janeiro: “Primeiro demorou tempo a encontrar o edifício, porque nenhuma das pessoas a quem perguntava na rua sabia onde ficava. Quando finalmente chegou ao lugar, ficou espantado por estarem lá unicamente duas pessoas lendo. Quem o recebeu foi um jovem frade. Não havia ninguém competente para lhe falar sobre o conteúdo da biblioteca, que era para isso que tinha ido. Mas o frade foi prestativo e levou-o a conhecer algumas salas, dizendo honestamente que só conhecia Camões”.

Hoje, em Ribeirão Preto, com a criação do futuro parque de literatura na antiga Cianê, e a existência de quase uma centena de bibliotecas espalhadas pela cidade — sendo uma delas a do Clube de Regatas Ribeirão Preto — , Luís Marrocos teria orgulho da semente lançada no Rio, e que frutificou na nossa Capital da Cultura graças ao trabalho de Galeno Amorim, atual Presidente da Fundação Biblioteca Nacional e do Conselho do Cerlal/Unesco.

 

 ANTONIO CARLOS TÓRTORO

Manhã de autógrafos – Escritora Odete Silva Dias

Clube de Regatas 2 de abril de 2012

Notícia - Manhã de autógrafos Odete Silva Dias

ODETE SILVA DIAS  NA BIBLIOTECA DO CLUBE DE REGATAS

  

A escritora Odete Silva Dias,   realizará  manhã de autógrafos do seu livro,   “Identidade: o tempo como senhor da história , na Biblioteca do Clube de Regatas, no domingo, dia 15 de abril de 2011, das 10  às 11 horas  da manhã.

 Sua presença será a 50ª de uma série, que o conselheiro e colaborador, escritor Antônio Carlos Tórtoro, tem levado ao Regatas, no 3º. domingo de cada mês,  com o objetivo de incentivar a leitura e apresentar aos regateiros os escritores de Ribeirão Preto e região.

 

Odete Silva Dias nasceu em 1937, em Jeriquara, SP, na fazenda Japão.

Trabalhou desde criança em várias atividades, começou sua carreira profissional como auxiliar de enfermagem no Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto.

Graduou-se em enfermagem na Universidade do Sagrado Coração, Bauru, SP.

Especializou-se em administração hospitalar pela Universidade de Ribeirão Preto, SP.

Aposentou-se na área da saúde em 1991 pelo Ministério da Saúde.

Em 2000, graduou-se em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano em Batatais, SP.

Em 2007, iniciou e dedicou-se a resgatar a história de sua família, que finalizou em 2011, originando o Livro: Identidade: O tempo como senhor da história.

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Livro – E se Obama Fosse Africano

Clube de Regatas 31 de março de 2012

Notícia - Capa do Livro e se obama fosse afriacanoE SE OBAMA FOSSE AFRICANO ?

Mia Couto

Companhia das Letras

202 páginas.

A venda nas livrarias Paraler  : www.paraler.com.br

MOÇAMBIQUE É AQUI

“Antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros”.

Mia Couto

Respeitadas as grandes diferenças, são muitas as semelhanças entre Moçambique e Brasil,  tendo em vista ter ocorrido por aqui o mesmo processo de colonização portuguesa ocorrido por lá, também a partir do mesmo período, ou seja, por volta de 1500: “Quando Vasco da gama chegou pela primeira vez a Moçambique, em 1497, já existiam entrepostos comerciais árabes e uma grande parte da população tinha aderido ao Islã”.

Afirma o autor moçambicano, na nota introdutória: “Acredito que os rios que percorrem o imaginário do meu país cruzam territórios universais e desembocam na alma do mundo. E nas margens de todos esses rios há gente teimosamente inscrevendo na pedra os minúsculos sinais da esperança”, referindo-se ao  O guardador de rios, texto com o qual inicia a obra.

É esse o sentimento que fica quando conhecemos um pouco mais do povo africano, levados pelas mãos de Mia Couto — em E se Obama fosse africano? , ensaios ( “interinvenções”, segundo o autor)  publicados pela Companhia Das Letras.

Com rigor intelectual, aguda capacidade de observação e uma verve de polemista que não exclui a serenidade e a tolerância, Mia ataca sistematicamente aqueles que considera os maiores entraves (os sete sapatos sujos) para a solução dos problemas e impasses na África. Na sua intervenção em Maputo, intitulada Os sete sapatos sujos — que faz lembrar Os sete saberes necessários à Educação, de Morin — fica mais claro o que quero dizer: “À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei sete sapatos sujos que precisamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher, e sete é um número mágico”, escreve o autor sobre seu país, e relaciona/comenta em 24 páginas — numa prosa saborosa, plena de humor e de referências literárias — o resultado, para qualquer país, pelo uso dos sapatos sujos:

Primeiro sapato: a ideia de que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas. Segundo sapato: a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho. Terceiro sapato: o preconceito de que quem critica é um inimigo. Quarto sapato: a ideia de que mudar as palavras muda a realidade. Quinto sapato: a vergonha de ser pobre e o culto das aparências. Sexto sapato: a passividade perante a injustiça. Sétimo sapato: a ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros.

Enfim, “à exceção do artigo que dá título ao volume, todos os outros são transcrições de palestras e comunicações do autor em vários eventos ocorridos na África, Europa (Estocolmo, Aveiro, Faro ) e Brasil (São Paulo,Belo Horizonte) . Por meio deles, Mia Couto intervém de modo inventivo nos debates mais candentes sobre o destino dos povos africanos e suas culturas.

Os temas são os mais variados: das queimadas na savana ao hip hop moçambicano, da relação do Português com as línguas nativas à violência doméstica nas cidades e aldeias, da corrupção endêmica no continente à influência de escritores brasileiros nas letras luso-africanas.

No artigo sobre o imaginário Obama africano. Couto especula sobre as dificuldades que ele enfrentaria no continente para chegar ao poder e, principalmente, para exercê-lo de modo eficiente e democrático”

Para finalizar, vale a pena conhecer mais esse trabalho de um dos principais escritores africanos da atualidade, comparado a Garcia Márquez, Guimarães Rosa e Jorge Amado, e descobrir  que não só o Haiti , de Caetano Veloso, é aqui.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO

Livro – Um Velho que lia Romances de Amor

Clube de Regatas 15 de março de 2012

Notícia - Capa do livro um velho que lia romances de amor cópiaUM VELHO QUE LIA ROMANCES DE AMOR

Luis Sepúlveda

Editora Relume Dumará

133 páginas

Autor com 5 milhões de exemplares vendidos

A venda nas livrarias Paraler  : www.paraler.com.br

ONÇA OU PEIXE: SOMENTE ALTER EGOS

“… seus romances que falavam do amor com palavras tão belas que às vezes o faziam esquecer a barbárie humana”.

Luis Sepúlveda

No livro O mundo é plano, de Thomas L. Friedman, relata as grandes mudanças que estão acontecendo no mundo contemporâneo: Os avanços das tecnologias e da comunicação que conectam as pessoas como nunca antes.

Mas para sempre, reflexões registradas em momentos — “aqueles mesmos em que se esconde o inseto da solidão” — consigo mesmo, e transformadas em obras literárias, continuam sendo um manancial de emoções e experiências que chamam a atenção dos leitores no mundo todo.

Em O velho e o mar, de Ernest Hemingway, escrito em 1952, a relação do ser humano com o mar e a luta pela sobrevivência, empreendida pelo homem, são elementos centrais da narrativa.

Em Um velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda, chileno, nascido em 1949, autor de mais de cinco milhões de exemplares vendidos no mundo, a relação do ser humano com a floresta amazônica e a luta pela sobrevivência, empreendida pelo personagem Antonio José Bolívar Proaño, também são elementos centrais da narrativa.

Em ambas as obras, líricas e ásperas, fortes e sutis, velhos encontram seus respectivos alter egos, seus inimigos íntimos, em bestas-feras de dimensões mitológicas: numa, um peixe; noutra, uma onça.

O alter ego de uma pessoa não é uma faceta escondida ou secreta da sua personalidade, mas sim alguém de muito íntimo, um amigo fiel e inseparável em que essa pessoa se revê e deposita absoluta confiança. O alter ego é, nesse caso, um perfeito substituto a que a pessoa pode delegar a sua representação ou outra função importante, na certeza de que ele pensará e agirá como ela pensaria ou agiria, isto é, como se fosse ela própria.

Santiago e José Bolívar são ambos conhecedores profundos de suas realidades: o mar e a floresta.  São personagens sempre vitoriosos nas lutas pela sobrevivência, empreendidas seja no mar, seja na mata, mas que encontram, na idade madura, embates quase épicos contra seres desiguais, ambos poderosos e obstinados, que não abandonam a peleja até o minuto final.

Em ambas as obras literárias, os personagens moram em condições precárias e refletem, durante a batalha final contra seus alter egos, sobre a ganância dos homens que abusam dos recursos do mar e da floresta, devastando seu próprio sustento. Travam um combate em que é preciso conhecimento, mas também é preciso sorte, numa batalha em que não haverá vencedor: mais do que uma luta contra o peixe ou a onça, a luta que empreendem é consigo mesmos, luta infindável que, apesar das vitórias que lhes garantem a sobrevivência, relega a eles a dor e a busca eterna por uma vida melhor: “De onde vêm todos esses pensamentos ? Vamos, Antonio José Bolívar. Velho. Sob que planta eles se escondem e atacam ? Será que o medo encontrou você e agora não pode fazer mais nada para se esconder ? Se é assim, então os olhos do medo podem vê-lo, do mesmo modo que você vê as luzes do amanhecer entrarem pelas frestas do bambu”.

Da mesma forma que O velho e o mar encantou milhões de leitores, Um velho que lia romances de amor, segundo o The New York Times, é uma pequena grande novela, um romance que encanta os leitores: “…mágico graças à narrativa impressionante sobre a vida na selva”.

Em El Idílio, no Chile, em Havana, Cuba, ou em Xapuri, Acre, Brasil — no prólogo do livro Sepúlveda, oferece o Prêmio Tigre Juan a Chico Mendes: “esse prêmio é seu também, e de todos os que seguirão seu caminho, nosso caminho coletivo em defesa deste mundo, o único que temos” — o homem e seus desafios pessoais são sempre os mesmos, sendo o mundo plano, ou não.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO

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