Arquivos de abril, 2011

Os Versos Satânicos

Clube de Regatas 15 de abril de 2011

Notícia - Capa do livro Os Versos Satanicos

OS VERSOS SATÂNICOS

Salman Rushdie

598 páginas

Companhia de Bolso

A venda nas livrarias Paraler  : www.paraler.com.br

UMA METÁFORA DE ANJO E DEMÔNIO

“Para nascer de novo, é preciso morrer primeiro”

Num momento em que discutem se crianças podem ou não  ler obras de Lobato com componentes racistas  , em que uma revolta toma conta da mídia porque na América alguém  queima o Corão instigado por um líder religioso, e em que no colégio onde trabalho, uma aluna se recusa, por motivos religiosos, a  ler o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente,  resolvo conhecer Os Versos Satânicos de Salman Rushdie, uma ficção onde não sabemos onde termina o conto e começa a verdade.

Contar todas as mirabolantes e fantásticas histórias que envolvem as reviravoltas do destino de dois homens — um transmutado em anjo ( Gibreel Farishta) e o outro em demônio ( Saladim Chamcha) , é estragar o prazer, o susto, a confusão, a curiosidade, e às vezes até a dificuldade de se digerir cada linha do livro.

É um livro que nas suas  597 densas páginas (Editora Companhia das Letras) sobre o panorama perfeito da cultura moderna, desvenda o  paradoxo ocidente-oriente, e deixa o leitor, ao seu final, com um sentimento de ignorância completa, e com a sensação de não saber dizer se  a obra é uma catarse do autor ( sua forma de exorcizar demônios de sua herança anglo-indiana) ou se é simplesmente uma forma , sem piedade, de crítica, sem fazer concessões, ao dois mundos , oriente-ocidente, numa narrativa que mistura ficção e realidade.

Gibreel ( ex-menino pobre das ruas de Bombaim, é a estrela histriônica e cheia de caprichos, mas que tem tanta luz dentro de si que recebe o perdão para todos os seus pecados antes mesmo de cometê-los, é um ator de sucesso, faz filmes teológicos e já interpretou um sem número de deuses do intricado panteão hindu)  e Saladim ( menino rico de Bombaim, filho de um  próspero fabricante de fertilizantes, quer ser inglês, falar, vestir-se, ter a cor dos britânicos e, por isso, rejeita a casa paterna, a cultura de seus pais e do país de origem, tornando se um ator atormentado por demônios interiores, complexo de Édipo mal resolvido, relação tensa com o pai, frustração na carreira, inadequação com a própria cor da pele escura) são ambas criaturas atormentadas por serem demasiadamente humanas.

Em resumo , dois homens caem  do céu depois que terroristas explodem o avião em que viajavam. Ambos são indianos e atores, e chegam incólumes ao solo da Inglaterra,onde se metamorfoseiam, um em diabo, o outro em anjo.

Muitas coisas opõem e associam os acidentados: um é apolíneo, o outro dionisíaco; um é apocalíptico, o outro integrado; um é apegado à sua origem, o outro está decidido a conquistar a nova nacionalidade. Transitando entre o real e o fantástico, entre o bem e o mal, entre a infinidade de opostos complementares e inconciliáveis da vida, o romance alegórico, impregnado de magia, transcende o problema específico do emigrado que flutua entre culturas para falar de todos os cidadãos de um mundo dilacerado.

Os versos satânicos rendeu a Salman Rushdie o Whitbread Prize e uma sentença de morte (em fevereiro de 1989 foi estipulada uma recompensa de US$ 2,5 milhões de dólares a quem matasse Salman porque o livro foi considerado uma blasfêmia contra o Islã)  promulgada pelo aiatolá Khomeini. Segundo as leis islâmicas, uma fatwa ( sentença de morte) só pode ser anulada por quem a proferiu mas com a morte doe Khomeini em junho de 1989 a condenação tornou-se eterna. Em setembro de 1998, o presidente iraniano Mohammad Khatami anunciou que o caso de Salman Rushdie deveria ser considerado completamente encerrado. O governo do país fez uma abdicação formal na sede da ONU- Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Penso que não fosse a polêmica acima, o livro não teria sido lido por muitos porque, por ser, segundo o próprio autor,  o Alcorão com as suas doutrinas e sunas ( e por isso mesmo muito rico em informações específicas não do conhecimento habitual no mundo ocidental)  em menor quantidade  seriam os interessados em sua leitura.

ANTÔNIO CARLOS TÓRTORO
ancartor@yahoo.com
www.tortoro.com.br

Convites Cortesia

Regina Baptista na Biblioteca do Clube de Regatas

Clube de Regatas 11 de abril de 2011

REGINA-BAPTISTA-midiaREGINA BAPTISTA  NA BIBLIOTECA DO CLUBE DE REGATAS

A escritora Regina Baptista ,   realizou  manhã de autógrafos de seus livros,   “Cárcere Privado” e “ Mundo Suspenso” ,  na Biblioteca do Clube de Regatas, no domingo, dia 10 de abril de 2011, das 10  às 11 horas  da manhã.

Sua presença foi a 38ª de uma série, que o conselheiro e colaborador, escritor Antônio Carlos Tórtoro, tem levado ao Regatas, no 2º. domingo de cada mês,  com o objetivo de incentivar a leitura e apresentar aos regateiros os escritores de Ribeirão Preto e região.

Regina Baptista nasceu em São Joaquim da Barra-SP, em 1968. Mora em Bonfim Paulista-SP desde 1977. Graduada em Ciências Sociais desde 1996, publicou o romance “Cárcere Privado”, em 2007 e uma coletânea de pequenas narrativas, “Mundo Suspenso”, em 2009. Participou com o conto “Beth e Fred” da antologia “Elo de Palavras”. Entre os títulos inéditos está o romance “Ato Penitencial” que deverá ser publicado ainda este ano. É associada à UBE – União Brasileira de Escritores.

Mundo Suspenso.

Quando a ação da vontade é convertida em resoluções de urgência, corremos o risco de ver o triunfo dos autômatos…Nesse mundo de suspensão do sensível, acabamos atribuindo valor à ação das coisas, colocando em segundo planos os seus significados.

Os textos não são contos ou microcontos, são fragmentos;breves e ansiosas histórias de um sujeito atordoado, submetido a uma conspiração cega e automática.

Cárcere  Privado.

Uma prisão criminosa e inexplicada. Não se trata de uma sentença da Justiça e do estado, portanto, não há um vínculo legal entre a condição do prisioneiro e suas ações do passado. Existe apenas a certeza de um mal-entendido. Contudo, o cárcere privado se estabelece como extensão da Ordem ao projetar nela a síndrome da fadiga social.

Acompanhou a escritora seu irmão, o jornalista do jornal Enfim, Adilson Baptista.

Prestigiaram o evento leitores, amigos do escritor e associados do Clube.
A Diretoria do Regatas, como de costume, serviu  o tradicional café da manhã aos presentes.

Fotos de Lu Degobbi – Grupo Amigos da Fotografia

Antônio Carlos Tórtoro