1822

Clube de Regatas 16 de novembro de 2010

Notícia - Capa do Livro 18221822

.
Laurentino Gomes

Editora Nova Fronteira

351 páginas

A venda nas livrarias Paraler : www.paraler.com.br

DE 1822 A 2010: UM LÁPSO DE TEMPO.
.
.
.     .     .     .     .
Senso trágico não significa ser pessimista, mas
.     .     .     .     .     .  .apenas compreender a vida com todas as suas
.     .     .     .     .     .  .limitações
”..
.
.       .        .        .       .      .     .     ..      .Gordon S. Wood
.
.
Acabo de ler 1822, de Laurentino Gomes, uma jornada cheia de aventuras pela História do Brasil, nos tempos da Independência.

Resultado de três anos de pesquisas, vinte e dois capítulos, trezentas e quarenta páginas com textos e ilustrações de fatos e personagens da época, a obra registra as ocorrências de um período de catorze anos, entre 1821, ano do retorno da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, a 1834, ano da morte do Imperador D. Pedro I.

É um livro que busca explicar “como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado”, ou seja, como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente em 1822.

Como diz o autor, “A Independência resultou de uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação, e, também, de sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e perigos”.

Coincidentemente, li esse livro no período das eleições e alguns pontos me pareceram bem atuais.

Auguste de Saint-Hilaire, , botânico francês, ao visitar o interior do nosso país, entre 1816 e 1820, constatou a indolência do povo: “Como no resto do Brasil, todo mundo trabalha o menos possível. Eles só plantam o estritamente necessário para o sustento da família. O Capitão-mor era obrigado a demarcar a quantidade de terra que cada um devia semear colocando de vez em quando alguns preguiçosos na cadeia, a fim de intimidar os outros”. Ou seja, há duzentos anos o pessoal já esperava pela bolsa família (responsável direta pelo grande percentual de votos do PT no norte e nordeste) do Lula.

Em outro momento, Thomas Lindley , ao falar dos comerciantes baianos, parece falar dos políticos atuais : “ Em seus negócios, prevalece a astúcia mesquinha e velhaca, principalmente quando efetuadas as transações com estrangeiros, aos quais pedem o dobro do preço que acabarão por aceitar por sua mercadoria, ao passo que procuram desvalorizar o que terão de obter em troca, utilizando-se de todos os artifícios ao seu alcance. Salvo algumas exceções, são pessoas inteiramente destituídas do sentimento de honra, não possuindo aquele senso geral de retidão que deve presidir toda e qualquer transação entre os homens”.

Para não me alongar, termino com considerações sobre o primeiro discurso da presidente eleita, Dilma Rousseff, e minha preocupação no sentido de que ela não conseguirá cumprir suas promessas, pois, como já ocorria nos tempos de Pedro I : “ Se um ano após a Independência, até o Imperador era contra a escravidão, por que ela continuou a existir no Brasil por tanto tempo? A resposta mostra que nem sempre a vontade de quem está no poder é suficiente para mudar o curso da História. Existem pressões que as circunstâncias exercem sobre os governantes e limitam suas ações e decisões”.

Tudo muito atual, tudo muito recente, pois duzentos anos são meses na História de um país, e pressinto que vamos ter que continuar contando com notáveis combinações de sorte, improvisação, acasos e também da sabedoria de algumas lideranças ( do governo e da oposição, se é que as temos ) responsáveis pela condução dos destinos do nosso país, nesse novo momento de grandes sonhos e muitos perigos, em que não contamos com sábios, não temos mulheres no poder, inocentes e tristes ( muito pelo contrário) , e só contamos com um bando de políticos loucos por dinheiro e poder.
.
.
.
ANTÔNIO CARLOS TÓRTORO

Trackback URI | Comments RSS

Deixe um comentário