A sobra do Vento
Clube de Regatas 30 de julho de 2010
A SOMBRA DO VENTO
Carlos Ruiz Zafón
Suma de Letras
400 páginas
A venda nas livrarias Paraler : www.paraler.com.br
“Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele”.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Carlos Ruiz Zafón
Eu diria que “O leitor“, de Bernhard Schlink, “A menina que roubava livros“, de Marhkus Zusail, e “A sombra do vento“, de Carlos Ruiz Zafón, formam uma trilogia encantadora que registra o poder dos livros sobre a vida das pessoas.
Ler “A sombra do vento” é percorrer, com o jovem Daniel Sempere o cenário grandioso da Barcelona franquista, em torno de 1945, com suas largas avenidas, seus casarões abandonados, sua atmosfera gótica e espectral, que ambientam um romance arrebatador que é também uma reflexão sobre o poder da cultura e a tragédia do esquecimento.
A busca de Daniel marca sua transformação de menino em homem, e desperta no leitor um fascínio renovado pelos livros e pelo poder que eles podem exercer.
O título do livro me fez lembrar a expressão A sombra da virada, tirada, segundo alguns, dos evangelhos gnósticos, e usada para descrever o indescritível, tendo em vista que a obra de Zafón enfeitiça por ser uma história fascinantemente mística, extraordinária, e envolvente.
A presença do menino Daniel, no misterioso lugar – conhecido de poucos barceloneses, uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra – no coração do centro histórico de Barcelona, o Cemitério dos Livros Esquecidos, trouxe-me à memória uma cena singela, mas marcante: entre as prateleiras da biblioteca do Colégio Anchieta encontrei, certo dia, uma criança, absorta, sentada no chão – apesar da existência de local apropriado para leitura – com um livro nas mãos, que, com certeza, não era um livro de Julián Carax, mas que abria para ela um universo distante e fantástico, por meio do qual ela mergulhava no mundo dos personagens, não querendo ser incomodada por nada e por ninguém. Naquele momento, um milagre acontecia: um livro, numa pequena biblioteca, de uma cidade no interior do Estado, poderia estar mudando a vida de um ser humano.
Nessa obra de Zafón – um fenômeno editorial no mundo inteiro, com mais de 6.5 milhões de cópias vendidas e que conseguiu conquistar ao mesmo tempo o público e a crítica – é incrível e instigante saber como um livro e um escritor, Julián Carax (filho de modesto chapeleiro), podem mudar os rumos da vida de dezenas de personagens: Daniel (jovem sensível), Dom Gustavo Barceló (livreiro), Isaac (vigia do Cemitério dos Livros Esquecidos), Clara Barceló (sua filha cega), Fermin (mendigo de passado glorioso), Núria Monfort (mulher triste que guarda segredos), Javier Fumero (cruel policial), Penélope Aldaya (filha de família da alta sociedade), Tomás Aguilar (melhor amigo) , Bea (irmã de Tomás), e muitos outros.
“A sombra do vento“, segundo a crítica especializada, “é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. Além de ser uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros, é um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias”.
Enfim, reserve um final de semana e deixe-se enfeitiçar por uma história fascinante, política e comovente, pois como diz o pai de Daniel Sempere: “Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece”.
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